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     CÂNCER - CAP. 22




    JORNAL DO RN - PAULO TARCÍSIO CAVALCANTI
     


    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    CAPÍTULO 22

     

    Ainda na sala de recuperação

     

    A constatação de que não conseguira dar o goto e de que a minha saliva estava ensangüentada, me despertou para a agressividade da operação a que me submetera. Como, aliás, os médicos haviam me prevenido.

     

    Toda vez em que, instintivamente tentava dar o goto, sentia uma dor insuportável, pois era preciso comprimir com a língua os tecidos superiores da boca, agora sem a proteção do palato que fora extirpado.

     

    Era como se tivesse sofrido um corte em qualquer parte do corpo e, com a freqüência com que se dá o goto – imagino que seja a mesma freqüência com que se respira – desse uma pancada ou comprimisse a parte cortada. Além da dor, tal movimento acabaria por dificultar a cicatrizarão da área cirurgiada.

     

    - Ah, meu Deus – pensei – se eu tivesse feito esta cirurgia há uma semana já teria passado por tudo isso.

     

    Logo depois, procurei superar esse estado de auto-piedade, imaginando que uma semana não demora tanto a passar e que, a cada dia, aquela dor e aquele desconforto de ter que ficar babando descontroladamente a saliva ensangüentada, iriam diminuindo, mesmo que paulatinamente.

     

    Além do mais, comecei a supor que, aqueles primeiros momentos depois da operação, deveriam ser, na realidade, os mais difíceis e dolorosos do pós-operatório. Eram realmente dolorosos, mas logo percebi que os tiraria de letra. O fundamental era que a cirurgia tivesse sido coroada de êxito.

     

    Enquanto despertava, uma constatação me alegrou bastante: a de que o dr. Shaha extirpara o palato pela abertura normal da boca sem a necessidade de um espaço maior que implicasse numa ampliação por um dos ou por ambos os lados do rosto.

     

    - Que profissional... que pessoa humana abençoada... “- proclamei ainda naquela reflexão inicial.

     

    Continua no tópico abaixo



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 12h01
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    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    Continuação do tópico anterior

     

    Houve um momento, algum tempo antes da cirurgia, que cheguei a temer pelo atendimento que receberia e pelo nível da atenção que o médico – numa terra estranha – me proporcionaria.

     

    - Esse médico não me conhece, não tem nenhuma razão pessoal pra me dar qualquer atenção especial, pois venho de uma terra distante, sequer sei falar inglês... ele vai acabar procurando fazer a cirurgia da maneira que seja mais simples pra ele... quanto a mim, seja o que Deus quiser...

     

    Ou seja: como quase sempre acontece com todos os pré-julgamentos, o meu fora precipitado. Pelo menos, o que a minha condição de leigo me permitia alcançar, fora tratado durante a cirurgia com toda dignidade e com toda atenção.

     

    Preocupei-me um pouco no momento em que senti a falta da sonda que a enfermeira disse que seria colocada, durante a cirurgia, para que pudesse me alimentar pelo nariz, já que, pela boca, não seria nada fácil me alimentar.

     

    - Por que não a colocaram? – perguntei reclamando a mim mesmo, entendendo que, se a tivessem colocado durante a cirurgia, eu nada teria sentido. Temia, agora, enfrentar o desconforto de vir a sentir a sua colocação. Mas, não há de ser nada, nem deve ser tão complicado assim – imaginei, como a querer recusar qualquer tipo de pensamento negativo.

     

    Logo depois, porém, abençoei o fato de terem providenciado um nebolizador, pois aqui e acolá precisava do seu auxílio para ajudar na respiração.

     

    O fato de respirar com dificuldade, naqueles momentos, não me surpreendeu, pois, esse era um problema com o qual já vinha convivendo há vários anos, creio eu, em conseqüência do cigarro. Na verdade, não consigo me lembrar há quanto tempo me acostumei a usar – todas as noites – “Vic vaporub”, para ajudar na respiração enquanto dormia.

     

    Pra mim, então, aquela dificuldade nada tinha com cirurgia, mas era uma conseqüência natural que teria de ser encarada por quem fumara diariamente ao longo dos últimos quase 30 anos.

     

    Continua no tópico abaixo



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 11h59
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    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    Continuação do tópico anterior

     

    - Com certeza – sentenciei animado pela perspectiva de conseguir superar aquele vício, diante da decisão pessoal de não voltar a fumar.

     

    - Aliás – imaginei – aquele seria o primeiro dia da minha vida, desde que me iniciei no vício, a não fumar um único cigarro.

     

    Eu sempre me prometera – após cada tentativa frustrada para reduzir o número de cigarros consumidos diariamente, que, o dia em que conseguisse passar sem fumar, seria o “dia D” da vitória sobre o vício e eu jamais voltaria a ele.

     

    Como Deus tinha sido complacente e generoso comigo. Durante toda a minha vida, jamais conseguira passar um único dia sem fumar – repito – até mesmo estando com pneumonia, como já relatei.

     

    Entretanto, agora, desde que chegara aos Estados Unidos, fui superando paulatinamente aquela dependência. Primeiro, deixei de fumar pela manhã; depois, no começo da tarde, em seguida, até o início da noite e, finalmente, consegui limitar o meu vício a um único e derradeiro cigarro, na véspera de minha internação.

     

    - Daqui pra frente – supus – sem o câncer e sem o cigarro, muita coisa vai mudar para melhor em minha vida.

     

    Fazia essas divagações, já despertado da anestesia, como forma de esquecer as dores, quando o enfermeiro chegou para conduzir-me até apartamento que me estava reservado.

     

    Lá, finalmente, o tão desejado reencontro com Graça e tia Dulce.

     

    Conclusãodo Capítulo 22



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 11h57
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