Arquivos

    Votação
     Dê uma nota para meu blog

    Outros links
     UOL - O melhor conteúdo
     BOL - E-mail grátis
     BEATLEMANIA
     MAIS BEATLES
     KAKÁ - GRANDES MOMENTOS
     YASMINE LEMOS
     MOMENTOS DE REFLEXÃO
     JOSELITO DANTAS
     ALEXANDRE CAVALCANTI
     MICHAEL JACKSON
     NATAL-RN
     DUDÉ SOARES (S. GONÇALO)
     CHICO LIMA (S. GONÇALO)
     FHM - AS 100 MAIS
     CALENDÁRIO PIRELLI I
     POTI NETO
     LAURO NETO
     BOSCO ARAÚJO
     JOSÉ EUDO
     AMO C. MIRIM
     JHANCY RICHELM/C. MIRIM
     ANSELMO SANTANA/SERIDÓ
     ESTER JACOPETTI
     JOÃO ANDRÉ NETO - CEARÁ-MIRIM
     PACIÊNCIA ESPECIAL
     PASSATEMPO/JOGOS
     CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE (1-2)
     CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE (3)
     CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE (4-5)
     CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE (6-7)
     CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE (8)
     CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE (9)
     CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE (10)
     CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE (11-13)
     CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE (14-15)
     CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE (16-17)
     CÂNCER - CAPÍTULOS 18 a 20
     CÂNCER - CAP. 22




    JORNAL DO RN - PAULO TARCÍSIO CAVALCANTI
     


    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    CAPÍTULO 16

     

    O último cigarro

     

    Nos questionários a que tive de responder, antes da primeira consulta com o dr. Shaha e, depois, à véspera da internação no Memorial Hospital, uma pergunta era comum: se eu fumava, há quanto tempo e em que quantidade.

     

    Comecei a fumar aos 20 e poucos anos – 24, 25 anos - e estava para completar 54. Algumas vezes chegava a comprar mais de uma carteira por dia, mas a minha impressão era de que, em média, eu fumava uma carteira, mais ou menos, a cada 24 horas.

     

    Em nenhum momento, porém, embora em prospectos distribuídos no hospital o tabagismo fosse duramente combatido, não recebi, de forma pessoal, nenhuma recomendação para deixar de fumar. Enquanto eu estivesse no hospital, dentro do hospital, é claro, estaria proibido.

     

    Eu era, de fato, um fumante inveterado. Lembro-me que, em 1982, acometido de uma  pneumonia, nem durante o tratamento da doença (espero que o prezado amigo dr. Melquisedec, que me atendeu à época, não leia essa confissão de descumprimento da rígida recomendação que me fez), eu passei um dia sequer sem fumar.

     

    E olhe que o mal cheiro deixado pelo fumo me incomodava bastante, sem falar nas críticas que, por conta desse vício, era obrigado a ouvir – quase a toda hora – de pessoas muito queridas, como da minha mulher, dos meus filhos, de Poti Júnior (meu irmão) e de alguns amigos.

     

    Não foi uma, nem duas vezes, que tentei reduzir, passando a consumir, no máximo, um cigarro por hora, um cigarro de duas em duas horas, etc. Cheguei até o récorde de um cigarro, no máximo, de três em três horas. Mas, logo depois, voltava ao mesmo ritmo anterior.

     

    O certo é que, desde o primeiro cigarro, infelizmente, jamais passara um único dia sem fumar.

     

    Ao descobrir que estava com câncer, entendi que não adiantava deixar de fumar, agora, só por conta da doença. O mal que tinha de ser feito, estava feito.

     

    Continua no tópico abaixo



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 14h57
    [] [envie esta mensagem
    ] []





    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    Continuação do tópico anterior

     

    Mas, ao viajar para os Estados Unidos, decidira que deveria diminuir o fumo, pois, como certamente, não poderia fumar enquanto estivesse hospitalizado, teria que me preparar para passar o primeiro dia sem fumar desde os meus 20 e poucos anos. E, antes mesmo de adoecer, alimentava essa convicção: a partir do dia em que conseguisse passar um dia sem fumar, nunca mais voltaria ao vício.

     

    Aconteceu, aliás, uma passagem, até um certo ponto, cômica por conta do vício. Logo no meu primeiro ou segundo dia em Nova Iorque, desci a um bar vizinho ao apart-hotel onde a conterrânea e hospitaleira Francisquinha Costa me alojara, exatamente para comprar cigarros.

     

    Fui surpreendido por um cidadão – que me cumprimentou: “Tudo bem?” Eu respondi meio espantado – “tudo bem” – enquanto imaginava, surpreso, de onde o conhecia e me indagava a razão daquele cumprimento e qual a indicação havia dado de que era brasileiro. Antes de encontrar as minhas respostas, ele me deixou ainda mais intrigado com uma nova pergunta: “Volta quando?”

     

    Meio amatutado, primeiro eu quis saber: “Por que?” – Aí foi que ele me contou que tinha uma “besta”, uma “van” e que fazia transporte, especialmente para turista brasileiro, do aeroporto para os hotéis e vice-versa e, também, passeios pela cidade. Era o Mauro, um dos muitos mineiros que se lançaram à aventura de ganhar a vida nos Estados Unidos.

     

    Continua no tópico abaixo



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 14h56
    [] [envie esta mensagem
    ] []





    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    Continuação do tópico anterior

     

    Eu lhe disse, então, que a data do meu retorno ainda não tinha previsão, pois viera em tratamento médico e nem a primeira consulta fora, ainda, marcada.

     

    - Você veio se tratar de que? – quis saber o meu novo amigo. E eu, acendendo um cigarro, respondi:

     

    - Estou com um tumor maligno na boca e vou precisar extraí-lo.

     

    O cara quase cai para trás. Ele parecia não acreditar – não na revelação que eu fizera – mas, no que estava vendo: um sujeito com um câncer na boca acendendo um cigarro.

     

    - E você ainda está fumando? – perguntou absolutamente perplexo e me pedindo um cigarro, talvez para atenuar o susto ou para saber se era mesmo um cigarro o que eu tinha à boca.

     

    Realmente é um contra-senso – respondi. Mas, se eu fumei até agora – e nunca na minha vida, desde que comecei neste vício – passei um único dia sem fumar, não dá para parar de uma vez. Estou me programando para diminuir, de modo que, na véspera da minha internação, eu me permita fumar o último cigarro.

     

    Mudamos de assunto, passamos a conversar sobre a dura vida de Mauro nos Estados Unidos, mas ganhando o suficiente para uma vida condigna.

     

    Ele ficou impressionado com a tranqüilidade com que eu encarava a delicada cirurgia que teria de enfrentar dali a alguns dias. Expliquei-lhe entender que, se em vez de tranqüilo, estivesse nervoso, ansioso, amedrontado, as coisas aí é que se complicariam para mim.

     

    - Além disso – falei – tinha muita fé em Deus. Eu tinha plena convicção de que estava ali porque, literalmente, Ele é que me trouxera e não me faria, com certeza, dar essa viagem perdida.

     

    Eu me sentia bem, revelando esse estado de espírito. “na minha opinião – prossegui – a gente só morre no dia em que tiver de morrer. Esteja doente ou não, seja velho ou moço, desse dia é que ninguém escapa. Algo que eu peço muito a Deus é exatamente que nem a morte consiga me ‘amofinar”. Ou seja: “Eu quero morrer vivendo”.

     

    Por fim, nos despedimos, ele me desejando boa sorte na cirurgia. O meu “último” cigarro foi aceso no dia 27 de maio de 1998, véspera da internação e da cirurgia.

     

    Conclusão do capítulo 16



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 14h55
    [] [envie esta mensagem
    ] []





    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    CAPITULO 17

     

    A vitória sobre o fumo

     

    À medida em que se aproximava o dia da minha internação e da cirurgia, eu ia contabilizando vitória na minha luta contra a dependência do fumo.

     

    Como disse, saíra do Brasil decidido a diminuir o cigarro. Na verdade, o meu desejo, tal a ansiedade que via estampada nos rostos dos meus, era tentar deixar de vez.

     

    Mas, pra mim, isso era praticamente impossível. Mesmo assim, tentei.

     

    No dia do embarque, fiz de tudo para não fumar. Tanto assim que, ao sair pra o aeroporto, fiz, solenemente, ao meu irmão Poti Júnior, que foi me deixar no aeroporto e que tem horror a cigarro, a comunicação: “Deixei de fumar”.

     

    Mas, na realidade, nem eu senti firmeza na comunicação. Apenas, naquele dia, até aquela hora, começo da tarde, estava conseguindo resistir à tentação de colocar um cigarro na boca.

     

    Conosco, pra o Aeroporto, ia também a amiga Andreza, cujos pais (Abínio Arruda, meu ex-colega de seminário, e Irene, além das recomendações pessoais anti-tabagistas que sempre me transmitiam, agora que me viam doente, encaminharam-me algumas publicações mostrando os malefícios do fumo.

     

    Diante desse interesse, imaginei que eles ficaram contentes com a novidade e pedi a Andreza: “Dê a notícia a Abínio e a sua mãe. Acho que eles vão gostar de saber disso”.

     

    Continua no tópico abaixo



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 14h46
    [] [envie esta mensagem
    ] []





    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    Continuação do tópico anterior

     

    Ela sorriu satisfeita, creditando-se, também, e com toda justiça, uma parcela daquela, até então, apenas aparente vitória. Eu, simplesmente ainda não fumara naquele dia – 14 de maio de 1998.

     

    Mas, na realidade, quando cheguei a São Paulo, já à noite (o vôo que peguei tinha várias escalas numa rota meia doida que chegou a incluir Goiânia e Brasília) não resisti e acendi um cigarro.

     

    - Não tem jeito – imaginei – de uma vez é difícil. Mas, tenho certeza: Deus vai me ajudar. Vou diminuir gradativamente até conseguir passar um dia inteiro sem fumar. Aí sim, daí em diante, ou seja, a partir do dia em que eu passar 24 horas sem fumar, acredito que nunca mais voltarei ao vício.

     

    E calculei: agora mesmo, este vai ser o último desta noite. Depois que embarcar, terei de passar, no mínimo, umas oito ou nove horas, talvez mais, sem poder acender um cigarro dentro do avião.

     

    Também nessa nova luta – raciocino agora, o senhor Jesus Cristo foi muito compreensivo comigo. Na verdade, em muitas outras ocasiões, eu já tentara diminuir o hábito de fumar, como uma etapa da caminhada para deixar de vez, mas sempre recaía, até porque o índice de redução nunca chegou a ser relevante.

     

    Naqueles instantes – porém, depois do cigarro que acendi no aeroporto de São Paulo, só voltei a fumar, no dia seguinte, algum tempo depois de chegar a Nova Iorque. Patrulhei-me: “Só posso acender outro cigarro, no mínimo, dentro de uma hora”.

     

    O certo é que, para minha surpresa e alegria, alguns depois – não sei precisar quantos – eu me via passando a manhã inteira sem fumar. Para isso, ajudaram-me bastante, as manhãs que tive de passar no hospital, preparando-me para a cirurgia e onde eu nem tinha tempo de pensar em fumar.

     

    “Meu Deus – pensei: Tenho certeza que isto é uma bênção. Muito obrigado”.

     

    A constatação seguinte foi de que, há algum tempo, estava fumando, no máximo três cigarros por dia, entre a tarde e a noite.

     

    Continua no tópico abaixo



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 14h45
    [] [envie esta mensagem
    ] []





    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    Continuação do tópico anterior

     

    Na segunda-feira da semana da cirurgia (numa quinta-feira, 28 de maio de 1998), fiz o planejamento da despedida de um vício que me dominara por cerca de 30 anos, mais ou menos. “Hoje, ainda, posso fumar três cigarros, no máximo. Amanhã, só fumarei dois e, na quarta-feira, véspera da internação, o último.

     

    Graça e tia Dulce acompanharam solidárias esse meu esforço e vibravam com cada conquista. Mas, se mantinham silentes, como se nada estivessem percebendo. Na realidade, evitavam qualquer tipo de pressão.

     

    Para mim, foi decisiva a compreensão de minha mulher naqueles momentos. Pois, se, antes da doença nunca perdeu a oportunidade de me pressionar contra o fumo, ao ponto de chegar a me irritar algumas vezes, agora este seu desejo se materializava de outra forma – na solidariedade e no silencioso reconhecimento da inquestionável luta que eu travava contra a dependência.

     

    Assim, quando chegou a quarta-feira, véspera da cirurgia, a convicção dessa vitória contra o fumo, elevava o meu astral. Menos pelo simples fato de estar deixando de fumar. Mais, pela certeza que saía de dentro de mim – do meu coração, do meu pensamento, da minha consciência – de que, assim, estava se materializando mais uma revelação de que, como um pai generoso, solidário, partícipe, Deus não me deixara só. Eu tinha certeza de que esta vitória eu não conquistara sozinho.

     

    A mão de Deus me ajudando a deixar de fumar foi mais um, dentre vários outros fatores, que me transmitiram uma grande esperança de que a cirurgia a que ia me submeter, apesar de todos os riscos que representava, seria coroada de pleno êxito.

     

    Afinal, tudo estava dando certo. Eu comecei a perceber, então, que – por tudo que estava acontecendo – Deus me transmitia mais uma boa nova – a de que a hora de minha morte ainda não havia chegado. E não tendo chegado, certamente, eu iria ganhar a minha recuperação.

     

    Essa conclusão se baseava num raciocínio até simplista. Se fosse morrer logo, não havia necessidade de me dar forças para superar um vício que passara me dominando a maior parte do tempo que eu já tinha vivido.

     

    Conclusão do Capítulo 17



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 14h43
    [] [envie esta mensagem
    ] []



     
      [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]