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     CÂNCER - CAPÍTULOS 18 a 20
     CÂNCER - CAP. 22




    JORNAL DO RN - PAULO TARCÍSIO CAVALCANTI
     


    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    CAPITULO 14

     

    Esperança, sempre

     

    A retomada da minha dosagem caseira (a babosa antes de cada refeição e, entre uma refeição e outra, limão, mel e alho) voltou a me dar a impressão de efeito altamente positivo sobre o câncer.

     

    O tumor, que eu imaginava tivesse aumentado, voltou a regredir (pelo menos no meu imaginário) e isso me deu novo ânimo para aguardar a chegada do dia da cirurgia.

     

    Claro: não pude deixar de transmitir essa sensação a Graça e a tia Dulce e aos demais familiares e amigos que me telefonavam em busca de notícia. “Estou me sentindo tão bem – dizia – que eu acho que o médico vai dispensar a cirurgia”.

     

    Hoje, quando recordo esses instantes, volto a dar graças a Deus, por ter me concedido a bênção de assim encarar o fato de estar com câncer. Não fosse essa bênção, certamente eu não teria morrido pois, sem dúvida, o meu dia ainda não havia chegado. Mas, com toda certeza, estaria, no mínimo, estendido sobre uma cama, absolutamente debilitado e aguardando a hora da morte.

     

    Eu ainda me lembro como foi terrível o meu primeiro contacto com essa realidade.

     

    Foi assim: estava sendo atendido, ainda em Natal, pelo dr. Serrano, cirurgião dentista para o qual fora encaminhado pela dra. Maria José. Enquanto ele tentava se comunicar com um médico que pudesse me examinar, eu, percebendo que algo de anormal parecia estar acontecendo, disse para Graça: “Ele está desconfiando que estou com câncer”.

     

    Na verdade, não sei como, nem porque pronunciei essas palavras. Graça, também se fazendo de forte, retrucou: “Que é isso, menino...”

     

    Nessa hora, o dr. Serrano nos informou que o dr. Ricardo Curioso aceitara nos receber naquele mesmo instante. Eu conhecia o dr. Ricardo pelo nome, o seu conceito profissional, mas desligado como sou para certas coisas, até então não sabia – ou não lembrava - qual a sua especialidade.

     

    Continua no tópico abaixo



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 08h31
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    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    Continuação do tópico anterior

     

    Tanto que, ao sair do consultório do dr. Serrano, já havia até esquecido o pressentimento de que, na realidade, poderia estar com um câncer.

     

    Por isso, foi grande o choque que tomei ao chegar à sua clínica de “Oncologia”. Desconsolado, enquanto manobrava para estacionar o carro, olhei para Graça. A essa altura, ela parecia não ter mais dúvida. E, por mais que se esforçasse, não escondia a tensão e o nervosismo que também a dominavam naquele instante. Pela expressão dos seus olhos, parecia ler os meus pensamentos ao ler a inscrição na fachada da clínica: “Puxa vida. Estou mesmo com câncer. Chegou a minha hora”.

     

    Não sei quanto tempo durou aquela angústia do primeiro momento. Entrei na clínica absolutamente nocauteado. “Morrer? E os meus filhos?”

     

    De repente, uma luz, outro sinal da generosa benevolência de Deus, antes mesmo de ser atendido, parecia conduzir os meus pensamentos a um novo rumo: “Pode ser a que a minha hora tenha realmente chegado e, aí, não poderei fazer nada. Certamente, o meu bom Deus, que é pai, que é generosidade, que é fé, que é esperança, me dará forças para encará-la de pé.

     

    Mas, também pode ser que não seja agora. Nem tão cedo. Aí, quanto mais fé e confiança eu tiver, menos doloroso será o tratamento”.

     

    E assim estava sendo. E, agora, ali, prestes a ser atendido num dos principais, senão o principal centro de atendimento a pacientes de câncer em todo o mundo, pela primeira vez em minha vida, pude entender o sentido da mensagem evangélica cuja beleza, agora reconheço, é cada dia mais atual e que, tantas vezes, me parecia irrealista para o nosso tempo: como os lírios do campo e as aves do céu, não precisamos nos preocupar com as nossas necessidades. Deus as conhece e, certamente, as proverá.

     

    Outra não poderia ser a explicação para que eu pudesse estar ali naquele instante.

     

    Enquanto aguardava, saiu do consultório do médico que ia me atender, um antigo companheiro de seminário. Um sorriso estampado no rosto, o corpo todo descontraído, senti o prazer, a alegria, a satisfação, a graça, com que me deu a notícia. Havia se submetido a uma biópsia e o resultado acaba de sair: não tinha nada.

     

    Depois dele, eu fui o primeiro a saber. Graças a Deus.

     

    Conclusão do Capítulo 14



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 08h29
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    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    CAPÍTULO 15

     

    Os últimos exames

     

    A cada dia, mais eu me apegava à força superior que não me deixava tremer diante dos riscos a que me submeteria durante a cirurgia.

     

    Era só isso que eu esperava receber – a mais – como bênção de Deus. Força, coragem, pois eu imaginava que, quanto mais seguro e confiante eu estivesse, ao chegar à mesa de operação, maiores chances teria de sair de lá para contar a história.

     

    Na verdade, agora, cinco meses depois (escrevo estas linhas em outubro de 1998), acredito que, fisicamente, eu não tinha como transmitir para os outros essa segurança. É que, embora não percebesse, achava-me assustadoramente debilitado, pois, além de tudo, há mais de um mês que eu não conseguia me alimentar direito.

     

    Tanto é assim que, na terça-feira seguinte ao “Memorial Day” do ano de 1998 (dia 26 de maio), ao chegar ao hospital para a retomada da bateria de exames pré-operatórios interrompida na quarta-feira anterior, a minha magreza chamou a atenção das pessoas que me examinavam. Literalmente, como se diz, eu estava “o couro e o osso”.

     

    Pior é que, diante dessa constatação concreta – isto é: eu estava assustadoramente magro, com 1,71m pesando menos de 50 quilos, o meu quadro projetava uma gravidade ainda maior – pois eu não parecia ter a capacidade de resistir, fisicamente, às agruras que estavam por vir.

     

    Ainda bem que todos os exames – um atrás do outro e realizados em um mesmo setor do Hospital – não demoraram mais do que umas três horas, durante as quais voltou a ser fundamental a assistência que me foi proporcionada por funcionários do Consulado do Brasil.

     

    Além de me ajudar na comunicação, a dra. Míriam, pela sua fé, me dava apoio emocional decisivo naquelas circunstâncias. Na hora de qualquer aperto – ensinava-me – “clamo pelo Sagrado Coração de Jesus”. E me repetia o seu clamor: “Sagrado Coração de Jesus, providenciai”. Certamente, jamais poderei esquecer esta lição.

     

    Continua no tópico abaixo



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 10h17
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    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    Continuação no tópico anterior

     

    Voltando aos exames. Todos os exames pressupunham, também, respostas a vários questionários, uma tarefa que seria totalmente inviabilizada sem a presença da dra. Míriam.

     

    Num deles, eu tinha que dizer o que sabia a respeito da cirurgia a que ia me submeter.

     

    “Trata-se de uma cirurgia bastante delicada – dizia, muito mais como um aluno repetindo o que ouvira do professor, do que como paciente relatando o que lhe fora adiantado pelo médico – o dr. Shaha. Eu vou ter que extirpar um tumor maligno do palato. O médico vai tentar extraí-lo pela abertura normal da boca, mediante aplicação de anestesia geral. A cirurgia deve durar aproximadamente duas horas. Quando eu despertar, poderei estar com as pernas paralisadas e, no pós-operatório, estarei sujeito a uma trombose e a uma pneumonia”.

     

    A enfermeira que me atendeu complementou – também repetindo informações que me haviam sido antecipadas pelo médico: a partir daquele instante, eu deveria suspender toda medicação que vinha tomando. No dia seguinte, véspera da cirurgia, eu poderia manter a minha rotina de alimentação e outros hábitos diários até a meia noite.

     

    Daí em diante, nada poderia comer, nem beber, como também deveria me abster de fumar (pois é: até aquele instante ainda não havia completado a estratégia adotada – a partir de minha chegada aos Estados Unidos – para me livrar definitivamente desse vício) e de usar qualquer tipo de perfume ou creme pelo corpo. E, na quinta-feira, às 9 horas, deveria estar no Hospital. Era o Dia D.

     

    Respirei aliviado quando a bateria de exames foi complementada. Eu estava tenso, temendo que alguma nova anormalidade viesse a ser registrada e impedisse ou voltasse a adiar a realização da cirurgia. Mas, graças a Deus, estava tudo "ok".

     

    Agora, só faltava o principal, a cirurgia propriamente dita. Passei a viver momentos decisivos. Para mim, o momento da cirurgia passou a ser esperado – como se pudesse ser – como o próprio momento do meu nascimento, com toda tensão, expectativa e incerteza que um nascimento pode trazer.

     

    Conclusão do capítulo 15



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 10h15
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