CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE
CAPITULO 9
Câncer, “sinônimo” de morte
Foi difícil conciliar o sono na primeira noite após a marcação da cirurgia para a segunda-feira seguinte, isto é, para dentro de uma semana.
Isso não obstante toda minha fé e a certeza de que o manto da proteção divina estava me cobrindo.
Mas, a falta de informações, uma conversa com alguém que já tivesse passado pelo mesmo problema que eu enfrentava, não tirava da minha cabeça o fato de que estava com câncer. E câncer, a primeira coisa que me lembrava, naquele instante, era a morte. Procurava e não encontrava (embora existisse e muitas, vim a saber muito mais tarde) qualquer referência de sobrevivência.
Eu, então, começava a admitir que a minha hora poderia ter chegado. De olhos fechados, viajava com o meu pensamento. “Eu não posso pedir a Deus para não morrer. Ninguém morreria se ele fosse atender a esse tipo de pedido” – pensava.
Ao mesmo tempo, voltavam à minha lembrança as imagens ingênuas e inocentes de dezenas de crianças, também cancerosas, com as quais havia me encontrado na Casa Mc Donald, no meu primeiro dia em Nova Iorque. “É a vida” – sentenciava resignadamente.
Mas, na realidade, é doloroso você saber que a morte está vindo, ou que pode estar vindo e que, contra ela, você nada pode fazer. Restava-me pedir a Deus força para encará-la.
Cristão, questionava-me: “Será que estou preparado para enfrentar o julgamento final?”
Coincidentemente, lembrei-me de que, na véspera de viajar, abrindo aleatoriamente o Novo Testamento que acabara de receber dos meus netos Arthur e Amanda, li, exatamente, os versículos relativos à narração que Jesus fizera sobre o momento do julgamento final.
Como na ocasião da leitura, agora também, eu me emocionava ao refletir sobre a cena, praticamente me vendo dentro dela, e a resposta dada por Jesus à dúvida que lhe foi exposta na ocasião:
- Senhor, quando é que te vimos com fome e te demos de comer...?” E ele: “Quando fizeste com os pequeninos, foi a mim que o fizeste”. Teria eu merecimento para ouvir essa resposta? Quantas vezes terei eu virado as costas aos pequeninos?
Na realidade, no dia-a-dia da gente, quantas vezes nos sentimos incomodados ao nos depararmos com outras pessoas que, além de alguma ajuda material, também precisam de nós só de um pouco de atenção, apreço, apoio, solidariedade, como sempre precisamos de Deus?
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Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 07h42
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