Arquivos

    Votação
     Dê uma nota para meu blog

    Outros links
     UOL - O melhor conteúdo
     BOL - E-mail grátis
     BEATLEMANIA
     MAIS BEATLES
     KAKÁ - GRANDES MOMENTOS
     YASMINE LEMOS
     MOMENTOS DE REFLEXÃO
     JOSELITO DANTAS
     ALEXANDRE CAVALCANTI
     MICHAEL JACKSON
     NATAL-RN
     DUDÉ SOARES (S. GONÇALO)
     CHICO LIMA (S. GONÇALO)
     FHM - AS 100 MAIS
     CALENDÁRIO PIRELLI I
     POTI NETO
     LAURO NETO
     BOSCO ARAÚJO
     JOSÉ EUDO
     AMO C. MIRIM
     JHANCY RICHELM/C. MIRIM
     ANSELMO SANTANA/SERIDÓ
     ESTER JACOPETTI
     JOÃO ANDRÉ NETO - CEARÁ-MIRIM
     PACIÊNCIA ESPECIAL
     PASSATEMPO/JOGOS
     CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE (1-2)
     CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE (3)
     CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE (4-5)
     CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE (6-7)
     CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE (8)
     CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE (9)
     CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE (10)
     CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE (11-13)
     CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE (14-15)
     CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE (16-17)
     CÂNCER - CAPÍTULOS 18 a 20
     CÂNCER - CAP. 22




    JORNAL DO RN - PAULO TARCÍSIO CAVALCANTI
     


    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    CAPITULO 8

     

    Cirurgia marcada

     

    Fiquei com a convicção de que o dr. Shaha devia ser, de fato, um instrumento de Deus para a minha recuperação.

     

    Mas, eu precisava arrancar dele alguma esperança, pois me martelava a advertência que me havia sido feita de que, tendo que extirpar o palato, um problema seria irreparável: mesmo que conseguisse sobreviver, restava-me o risco de ficar com a voz, no mínimo, distorcida.

     

    Então, lhe perguntei:

     

    - Doutor, e se tudo der certo, mesmo perdendo o palato, quais as chances que eu tenho de voltar a ter uma vida normal, especialmente no trabalho, onde preciso usar muito a minha capacidade de falar?

     

    - Todas – respondeu o dr. Shaha, de uma forma que me pareceu muito generosa.

     

    - Deus é pai – pensei emocionado. Ou seja: o médico me prevenira de que nada poderia me assegurar antes da cirurgia. Mas, se o câncer que me atingira ainda pudesse ser totalmente extirpado, eu voltaria a viver.

     

    - Então, vamos em frente – disse-lhe.

     

    A cirurgia foi marcada para a segunda-feira seguinte. Ou seja: daí a uma semana.

    O próprio dr. Shaha me levou, pessoalmente, até a clínica dentária do hospital, onde fui atendido pelos doutores Ian M Zlotolow, chefe da Clínica, e George F. Wong, que participariam da cirurgia, como responsáveis pela confecção da prótese que me daria um palato artificial e me livraria do risco de ficar, permanentemente, fanho.

     

    Por enquanto, fui liberado com a recomendação de ficar atento a um chamado do hospital para uma segunda consulta e uma bateria de exames pré-operatórios.

     

    Apesar da sensação que eu tinha de que todos os meus passos estavam sendo guiados por Deus; de que sua misericórdia me cobria de bênçãos naqueles instantes de sofrimento; não obstante a confiança que o dr. Shaha me inspirava, eu saí daquela primeira consulta um tanto quanto decepcionado.

     

    Era como se eu achasse que a graça era grande demais para que fosse verdade. Eu não a merecia – julgava.

     

    Fiz de tudo para que nem Graça, nem tia Dulce percebessem. “Tudo vai dar certo”- dizia-lhes. E “raciocinava” em voz alta para que elas pudessem entender minha otimista confiança: pela minha fé, Deus não permitiria que eu tivesse vindo a Nova Iorque para nada, ou o que era pior: pra morrer.

     

    Intimamente, porém, eu era mais realista. Confesso que não sei descrever, com precisão, o que, na realidade, sentia naqueles momentos. Algo como uma mistura de fé, com incerteza, insegurança, pavor e medo.

     

    De um lado, procurava encarar com a maior naturalidade possível, o fato de que, na verdade, estava indo para o tudo ou nada. Iria fazer uma cirurgia da qual poderia sair recuperado ou mutilado. Isto se não morresse.

     

    Continua no tópico abaixo



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 08h59
    [] [envie esta mensagem
    ] []





    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    Continuação do tópico anterior

     

    Mas, de uma coisa eu tinha certeza: apesar de tudo, eu só morreria se a minha hora tivesse chegado. Nesse caso, de nada adiantaria o fato de estar me tratando num dos melhores hospitais do mundo, ou no melhor hospital do mundo em sua especialidade, como lá me disseram várias pessoas. Eu tenho para mim que, do dia e da hora marcados para morrer, ninguém escapa. E isso independe de doença ou de idade. Basta estar vivo.

     

    Animava-me, a convicção (ou a esperança?) de que, essa hora não tendo chegado, estar sendo tratado por aquela equipe, a equipe do dr. Shaha e naquele hospital, fazia grande diferença. Certamente, a cirurgia seria um sucesso total.

     

    Tão difíceis quanto essas dúvidas e incertezas eram, não apenas a expectativa pela nova chamada do hospital – “será que esse povo vai se lembrar de mim”- como bom matuto me questionava, aumentando ainda mais a tensão daqueles momentos, agravada pelo incômodo e as dores provocadas pelo tumor, a saudade e a preocupação com os filhos e demais familiares e amigos distantes.

     

    Não apenas para passar o tempo, mas também para manter o moral elevado e demonstrar para Graça e tia Dulce que a minha fé só fazia aumentar, procurava acompanhá-las nos passeios constantes pela bonita Manhattan, não dispensando, no final de cada jornada, alguns minutos de oração e de reflexão na catedral de São Patrício.

     

    Por aqueles dias, passei a acompanhar, em silêncio, drama semelhante que estava sendo vivido pelo cantor Leandro, da dupla “Leandro e Leonardo”. Poucos dias antes, ele estivera, se não me engano, no mesmo hospital em Nova Iorque, mas voltara para complementar seu tratamento no Brasil.

     

    Eu me questionava: Será que alguém lhe falou sobre a babosa? Será que ele está encarando a doença com fé em Deus e com esperança? Eu imaginava que sim, por algumas declarações que dele ouvi, antes de viajar. Na verdade, a força que ele refletia nas entrevistas que deu, eram para mim um exemplo e eu torcia para que assim continuasse.

     

    Além disso, uma certeza me tranqüilizava: pelo menos não lhe faltavam condições materiais para encarar todo tipo de tratamento que fosse necessário.*

     

    * Lamentavelmente, porém, Leandro não resistiu ao tratamento e morreu, alguns dias depois, a 23 de junho de 1998.

     

    Conclusão do Capítulo 8



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 08h57
    [] [envie esta mensagem
    ] []



     
      [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]