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     CÂNCER - CAPÍTULOS 18 a 20
     CÂNCER - CAP. 22




    JORNAL DO RN - PAULO TARCÍSIO CAVALCANTI
     


    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    CAPITULO 6

     

    A marcação da primeira consulta

     

    Resolvido o problema da hospedagem, nosso segundo desafio em Nova Iorque foi tentar marcar uma consulta, no Memorial Hospital, com o dr. Shaha, especialista indiano de renome internacional, e uma das sumidades do “departamento de cabeça e pescoço”.

     

    O recomendável é que essa providência tivesse sido tomada antes da viagem. Ou seja: o paciente comum só deve embarcar depois de tudo acertado.

     

    No meu caso, isso não foi possível porque o especialista a quem eu estava sendo encaminhado encontrava-se ausente, participando de um simpósio noutra cidade norte-americana.

     

    Como já disse antes, decidi antecipar o embarque, diante do sofrimento – para mim e para os outros – que representava o contacto permanente com pessoas muito queridas e que, como eu, não podiam esconder o impacto de um pai, um irmão, um amigo, que acabara de ser informado de que estava com câncer. Pra qualquer um, é muito difícil livrar-se do significado prático dessa notícia e que, na realidade, pelo menos no primeiro momento, constitui uma verdadeira sentença de morte.

     

    Uma das coisas mais duras desse primeiro momento, é a impressão que as outras pessoas, involuntária, mas naturalmente, nos transmitem de que estamos chegando ao fim. É uma situação indesejável pra quem amamos e pra quem nos ama, imagine como não será para o próprio paciente.

     

    Assim, deixamos Natal no começo da tarde de uma quarta-feira – 14 de maio de 1998 – e amanhecemos a quinta-feira, em Nova Iorque. O dr. Shaha continuava viajando, mas contactado pelo Hospital e tendo sido informado do meu caso pelo médico que me encaminhara – o dr. Ricardo Curioso, de Natal – autorizou a marcação da consulta para a segunda-feira seguinte. Aliás, o dr. Ricardo estava participando do mesmo simpósio médico, se não me falha a memória em Miami, onde Shaha se encontrava naqueles dias.

     

    Ou seja: graças a Deus, tudo estava dando certo, não obstante estivéssemos em terra estranha, enfrentando mil dificuldades, entre elas a de não falar o idioma local. Talvez por conta dessa dificuldade, somente no dia seguinte ao de nossa chegada, tal informação chegou ao nosso conhecimento.

     

    Continua no tópico abaixo



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 11h35
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    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    Continuação do tópico anterior

     

    Ninguém pode imaginar o quanto isso me aliviou. Até recebermos a informação de que a consulta fora, prontamente, marcada, somente uma firme confiança na misericórdia e nas bênçãos de Deus (afinal, fora ele que me levara até lá), me dava forças para superar o pressentimento de que, nas portas aonde batéramos, diante das dificuldades de comunicação, da falta de conhecimento com alguém do hospital, da ausência do médico a quem procurávamos, estavam anotando o nosso telefone de contacto, apenas para que fôssemos embora.

     

    - O negócio aqui funciona – imaginei ao receber a comunicação.

     

    Ao mesmo tempo, reconheci que as preces que eu, Graça e Tia Dulce fizemos – especialmente no primeiro ponto turístico de Nova Iorque que fomos visitar – a Catedral de São Patrício – bem próxima do apartamento que Francisquinha Costa nos arranjara – chegaram ao seu destino e foram bem recebidas.

     

    Agora, começaria a angústia da espera. O que o dr. Shaha iria me dizer? Será que eu receberia dele alguma esperança? Eu não podia me livrar dessas dúvidas. Mas, as guardava somente para mim.

     

    Num determinado momento, fazendo a língua tocar no tumor no céu da boca, tive a impressão de que ele parecia ter crescido um pouco. Fiquei calado, mas a minha preocupação aumentou. E as dúvidas também.

     

    Era a primeira vez que vivia essa sensação de que estava piorando. Até então, o que prevalecia era o entendimento de que, graças à babosa, o tumor estava em regressão e torcia para que a confirmação dessa esperança me fosse dada pelo especialista norte-americano. Na verdade, o dr. Shaha, como já disse, não é americano. É indiano.

     

    Graça e Tia Dulce devem ter percebido o drama que eu estava vivendo e imaginado que, se não tomassem uma providência que me fizesse pensar em outra coisa, aquele final de semana não teria fim. E, quando elas querem uma coisa, não adiante discutir. Mas, graças a Deus, conseguiram.

     

    Compraram uma excursão de 48 horas naqueles ônibus de dois andares e me levaram a descobrir Nova Iorque, pelo menos naquilo que salta aos nossos olhos. Com isso, a segunda-feira, o esperado dia da primeira consulta, não demorou tanto a chegar.

     

    Conclusão do capítulo 6



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 11h33
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    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    CAPITULO 7

     

    Enfim, o dr. Shaha

     

    Segunda-feira, 18 de maio de 1998. Quatro dias após minha chegada a Nova Iorque, finalmente a minha primeira consulta com o dr. Shaha.

     

    Era muito grande a minha expectativa. Meu maior receio era ser tratado como mais um desconhecido e, ainda por cima, estrangeiro.

     

    Foi inevitável a lembrança da imagem que vira, alguns dias antes, ainda no Brasil, do famoso cantor Leandro, anunciando, à saída do mesmo hospital aonde me encontrava agora, que estava voltando para completar o tratamento no nosso país.

     

    Eu fiquei inquieto com aquela informação. Como um jovem desse, sem problemas de ordem financeira, deixa um hospital que é referência mundial, pra vir se tratar em casa, eu não conseguia entender.

     

    Agora, chegando para minha primeira consulta, chamara-me a atenção, como já ocorrera no meu primeiro contacto com o Memorial Hospital, a grande quantidade de gente chegando e saindo.

     

    Eu não podia esquecer as válidas informações que amigos médicos me haviam transmitido, ainda em Natal, sobre a delicadeza e as dificuldades do tratamento a que teria de me submeter. Por isso, enquanto aguardava o dr. Shaha, raciocinava:

     

    “Certamente, Jesus não me trouxe até aqui pra me colocar nas mãos de qualquer um. Se eu não sentir firmeza com esse médico, com ele é que não vou ficar. Mas, e daí? Como é que vou buscar outra alternativa, numa terra estranha, desconhecida, sem ter muito a quem recorrer?”

     

    E me indagava: Como será esse dr. Shaha?

     

    Que é um médico renomado internacionalmente, eu não tinha dúvidas. Mas, como gente, como ser humano, qual era o seu tipo? Que tipo de tratamento dispensaria aos seus clientes? Que tempo de tratamento iria me dispensar?

     

    Continua no tópico abaixo



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 09h56
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    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    Continuação do tópico anterior

     

    Parte das minhas dúvidas começaram a se dissipar, poucos minutos após a nossa chegada em seu consultório, no departamento de cabeça e pescoço, no terceiro andar do hospital. Foi por ocasião da entrevista preliminar que tive com a sua assistente, a dra. Janete.

     

    Ela nos pareceu – a mim, a tia Dulce e a Graça – uma pessoa atenciosa, solidária, profissional, certamente convicta da importância desse primeiro contacto, nas futuras relações médico-paciente.

     

    Por conta dela e da atenção que nos concedeu, quando o dr. Shaha chegou, já me encontrou bem mais tranqüilo e confiante.

     

    Com efeito, ele também, nos pareceu uma pessoa educada e atenciosa. Um profissional seguro de suas qualificações e, por conseqüência, também, de suas responsabilidades sob o ponto de vista do relacionamento humano.

     

    Além das informações que lhe foram relatadas pela dra. Janete, ele tinha amplo conhecimento de minha ficha de saúde, não apenas com base no laudo e no resultado dos exames que levara de Natal, mas, especialmente, pelo contacto pessoal que mantivera com o dr. Ricardo Curioso, no conclave médico em que tiveram a oportunidade de se encontrar há poucos dias.

     

    Mesmo assim, me fez um completo exame e, sempre exigindo que Graça a tudo escutasse, fez um relato da gravidade da minha situação.

     

    Em síntese, me disse que eu estava, realmente, com um tumor maligno no palato e, para enfrentá-lo só havia uma alternativa: a cirurgia imediata. Se eu quisesse enfrentá-la, ele estava disposto a encarar o desafio, embora, como médico, nada pudesse me assegurar, naquele momento, quanto às possibilidades de êxito. Até porque, pelo resultado da biópsia, não se podia afirmar, com certeza, se o tumor estava limitado a uma área que pudesse ser extirpada com a simples realização da cirurgia, ou se já se estendera. Qualquer outra informação mais precisa, somente algumas semanas depois da operação.

     

    Apesar da dureza dessa realidade, ou seja, eu estava correndo o risco de ter de me submeter a uma mutilação do meu corpo, sem poder receber qualquer garantia de que isso valeria e pena. Mas, a segurança e a firmeza do dr. Shaha, a forma como me encarava, me deram uma convicção: sem dúvida, foi Deus que o enviou para tratar de mim.

     

    Conclusão do Capítulo 7



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 09h54
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