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     CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE (16-17)
     CÂNCER - CAPÍTULOS 18 a 20
     CÂNCER - CAP. 22




    JORNAL DO RN - PAULO TARCÍSIO CAVALCANTI
     


    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    CAPITULO 4

     

    O primeiro grande choque

     

    Apesar de toda confiança que o hospital para o qual fora encaminhado me inspirava, cheguei a Nova Iorque seguro, mas cheio de dúvidas.

     

    Acredito que essas dúvidas eram provocadas pelo impacto emocional que atinge qualquer pessoa que se descobre portadora de câncer.

     

    Como eu seria tratado num lugar desconhecido? Quando poderia ser atendido? Os recursos de que dispunha seriam suficientes?

     

    Para completar, numa cidade desconhecida e caríssima, ainda teria que encontrar um hotel onde pudesse ficar hospedado, pelo menos, durante dois meses.

     

    A recepção solidária do amigo José Adécio amenizou essas preocupações. No que se refere a hospedagem, enquanto eu ainda estava no Brasil, Adécio pediu para que não me precipitasse fazendo reserva de hotel. Ele achava que valia a pena uma tentativa para conseguir o que era quase impossível: hospedar-me na própria casa Mac Donald, onde ele estava com familiares, acompanhando o tratamento do filho.

     

    Isso teria sido o ideal. A Mac Donald, pelo que entendi, era uma instituição filantrópica que abriga familiares de pessoas (principalmente crianças), que estejam em tratamento no Memorial Hospital e cobra uma diária praticamente simbólica, só para dizer que não é de graça.

     

    Além disso, para mim, tinha mais duas vantagens fundamentais: a proximidade do hospital e a vizinhança do meu estimado amigo e familiares.

     

    Mas, isso não foi possível. Dá para se imaginar a demanda sobre essa casa.

     

    Continua no tópico abaixo



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 09h12
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    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    Continuação do tópico anterior

     

    Combinamos então, eu, Graça e tia Dulce, que atenderíamos o convite de Adécio para o almoço. Em seguida, eu ficaria no apartamento dele, enquanto elas iriam ao Serviço Internacional do Hospital tratar da marcação da primeira consulta e tomar providências relativas à hospedagem.

     

    Durante o almoço me desliguei dessas questões pelo choque que tive ao constatar a grande quantidade de crianças cancerosas com as quais me deparei no refeitório.

     

    Percebi que elas vinham dos mais diferentes países. Em algumas, eram visíveis os sinais do tratamento a que se submetiam, com suas cabecinhas lisas como uma bola de bilhar e que, de uma forma quase instintiva me levaram a um pensamento e a um pedido: Como eu poderia pedir a Deus para me salvar, diante daquelas crianças. E roguei para que ele tivesse compaixão de suas famílias.

     

    Foi aí que percebi, de forma ainda mais concreta, que o sofrimento enfrentado pelo meu amigo José Adécio, tendo um filho doente, era muito maior do que o meu.

     

    Esse reconhecimento engrandecia ainda mais, na minha consciência, o gesto solidário com que ele e seus familiares – a esposa, Neyde Suely, e os filhos Gustavo e Adecinho – me recepcionavam, dando-me forças e procurando evitar que eu me deixasse abater pelo medo e pela falta de esperança.

     

    Por isso, não tive como deixar de dizer-lhe: “Tenho certeza de que, apesar de toda força que você está me dando, se a gente botar numa balança o meu sofrimento e o seu, você está sofrendo muito mais do que eu. Tenho fé em Deus, que o seu filho vai tirar de letra esse momento tão difícil, por mais que ele se prolongue”.

     

    Mais tarde, sozinho, já recolhido ao apartamento que me emprestara, não saia da minha cabeça a imagem daquelas crianças, especialmente das que nem percebiam a gravidade da situação, e o semblante reveladoramente sofrido dos seus acompanhantes.

     

    Conclusão do Capítulo 4



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 09h11
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    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    CAPITULO 5

     

    A decisão de contar tudo

     

    Enquanto repousava durante a minha primeira tarde em Nova Iorque, não me saiam da lembrança as imagens das crianças doentes com as quais me encontrara na hora do almoço.

     

    Como uma criança pode sofrer de câncer? – questionava-me.

     

    Na minha visão de pai, nada pode doer mais do que testemunhar o sofrimento de uma criança ou de saber que uma criança está sofrendo.

     

    Em determinado momento dessa reflexão, revi, como numa gravação, o momento carinhoso e cheio de emoção, mas muito triste, da despedida dos meus filhos, no momento do embarque.

     

    Como desejei, como torci, pela bênção, pela alegria de poder voltar a abraçá-los, pela satisfação de voltar a beijá-los. Mas, mesmo assim, dei graças a Deus por estar com câncer.

     

    Certamente, fui entendido pelo Senhor. Para mim seria muito mais difícil se um deles estivesse doente em meu lugar.

     

    Perturbava-me, sobremaneira, a minha falta de conhecimento sobre a doença. Eu não tinha a menor informação sobre as chances de recuperação.

     

    - No mínimo você vai ficar inválido – dissera-me o meu médico, numa referência ao fato de que o meu palato teria que ser extirpado.

     

    O quanto isso me machucava e, ao mesmo tempo, me confortava, são duas sensações indescritíveis.

     

    Me machucava porque era como se eu estivesse tendo um pesadelo, sem poder transmitir a um ente querido uma informação que pudesse amenizar a situação. Me confortava, o despertar: graças a Deus sou eu que estou doente. Eu me viro.

     

    Diante de mim, a expectativa de momentos assustadoramente difíceis que estavam para vir. Voltavam a ressoar em meus ouvidos, na minha mente, na minha consciência, a sincera advertência do meu médico: “No mínimo, você vai ficar fanho, porque na cirurgia será retirada boa parte do seu palato”.

     

    Outro amigo, também médico e que me visitou na véspera do embarque, me prevenira: “É uma cirurgia difícil e delicada, pois é num dos pontos mais estratégicos do corpo humano: a boca. É provável que o cirurgião, não conseguindo movimentar os equipamentos cirúrgicos através da entrada da boca, precise de um espaço maior e tenha que abrir, lateralmente, a sua cabeça".

     

    Continua no tópico abaixo



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 08h46
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    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    Continuação do tópico anterior

     

    Aos dois eu dissera: “Seja o que Deus quiser”. Mas, somente eu sei o quanto desejei poder ter um contacto, uma conversa, com alguém que já tivesse passado pelo mesmo drama e pela mesma experiência. Com certeza, isso daria maior segurança à minha esperança.

     

    Com efeito, animava-me a fé de que Deus estava comigo. Eu tinha certeza de que somente estava lá, numa terra distante e aonde jamais pensara que, um dia, teria que ir, porque ele me conduzira. Ora, conhecendo-o como acho que o conheço, comecei a conjecturar que Deus não me traria de tão longe numa viagem perdida. Tudo teria que dar certo.

     

    Mas, eu sentia essa falta de informação. Ouvindo quem já passara por onde eu iria passar, como essa pessoa enfrentara cada situação, sem dúvida, o trajeto seria menos difícil. Acho que foi nessa hora que me decidi: quando tudo isso acabar vou tentar colocar no papel toda essa experiência, para que sirva de orientação a outras pessoas.

     

    A minha reflexão estava nesse pé, durante repouso no apartamento de José Adécio, na casa Mc Donald, quando Graça e tia Dulce voltaram com a solução para o nosso problema de hospedagem.

     

    Depois do susto passado no Serviço Internacional do Hospital, onde lhe informaram que não havia vaga em hotéis da redondeza por menos de 300 dólares a diária, descobriram, em plena Manhattan, uma caicoense que nos conseguiu razoável acomodação, num “studio” para duas pessoas, por menos de um terço desse valor.

     

    Na verdade, mais importante do que a solução desse problema, para mim foi a oportunidade de conhecer Francisca Costa (Francisquinha), a caicoense, uma verdadeira fada-madrinha que encontramos em nova Iorque. Francisca é uma pessoa que, por sua luta incansável, aliada a um temperamento solidário, generoso e fraterno, daria enredo para uma bonita história de vida.

     

    Conclusão do Capítulo 5



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 08h44
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