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     CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE (16-17)
     CÂNCER - CAPÍTULOS 18 a 20
     CÂNCER - CAP. 22




    JORNAL DO RN - PAULO TARCÍSIO CAVALCANTI
     


    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    A razão deste depoimento

     

    Quando recebi a notícia que estava com câncer, em abril de 1998, procurei encontrar alguma referência em que pudesse apoiar minha esperança de sobrevivência.

     

    Infelizmente não encontrei. Nem em testemunhos, nem na Internet, nem em livros.

     

    A falta disso aumentou a minha provação.

     

    Prometi, então: se conseguir escapar, vou contar tudo.

     

    Primeiro, como uma forma de agradecer a Deus. Por tudo. 

     

    E, segundo, pra que se alguém tiver que passar, também, pelo que passei, ou conhecer alguém que passe, tenha esta referência e possa ter a esperança de que ainda não é o fim.

     

    Para mim, depois do câncer, já se passaram dez anos. Parece que foi ontem. Lembro-me, por exemplo, das dúvidas quanto o tempo que teria de sobrevida. Sobreviver dez anos, pois, é outro sonho que a generosidade de Deus está me permitindo celebrar.



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 18h19
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    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    CAPITULO I

     

    Confesso que tremi

     

    Não sei porque – certamente aí também está o dedo da misericórdia de Deus – a descoberta de que estava com câncer (em abril de 1998) não me surpreendeu. No sentido de que, na realidade, me fez tremer, mas não me derrubou.

     

    O duro foi enfrentar a preocupação dos amigos, da família e, em especial, dos filhos.

     

    Mais duro ainda foi perceber que essa preocupação aumentava à medida em que me viam tentando demonstrar a convicção pessoal de que, para mim, sofrer de câncer não era nada agradável; mas, também, não era o fim do mundo. Ou seja: eu sofria muito mais imaginando – pela cara deles – que não acreditavam na força interior que eu procurava externar.

     

    Eu me lembro como se fosse hoje.

     

    Quando desconfiei de que podia ser câncer o meu problema, e não uma simples dor de dente, de repente, eu me vi dirigindo a Deus um apelo mais ou menos nos seguintes termos:

     

    - Senhor: já tenho tanto pra agradecer... Mas, ainda tenho muito a pedir: força para resistir à dor e para transmitir à minha família e aos meus amigos, a certeza de que posso enfrentar este momento com muita grandeza.

     

    Não quis alongar o pedido. Pelos ensinamentos cristãos que recebi, diante de Deus, não precisamos nem dizer nada. Então, na realidade, eu já falara demais.

     

    Além de tudo, é claro que ele já sabia – sem que eu precisasse dizer, que, jamais, lhe pediria para não morrer ou para adiar a minha morte, não obstante o profundo amor que tenho pela vida e o sentimento de que, senão a maior parte, mas uma boa parte dos meus sonhos ainda está para ser realizada.

     

    Ele sabia, pois, que eu só queria isso: diante de tão indesejável e temerosa doença, eu só queria forças para enfrentá-la sem me deixar abater; e que essa força pudesse alcançar, também, os meus familiares e amigos.

     

    Será que eu alcançaria essa graça?

     

    Continua no tópico abaixo



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 18h19
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    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    Continuação do tópico anterior

     

    Foram dias de incerteza, de muita dúvida, de muita apreensão, de muito temor. E, é claro, não precisa dizer, de muito sofrimento.

     

    Muitas, muitas vezes, repetidas vezes, me vi perguntando a mim mesmo: E, se tivesse chegado o meu dia? A minha vez?

     

    O sofrimento só não se aprofundou ainda mais, porque, logo, lá de dentro, como uma provocação a mim mesmo e à minha fé, ecoou uma indagação desafiadora: E daí?

     

    Se o meu dia ou a minha hora tiverem chegado, não serei o primeiro nem o último a viver este momento inevitável. Acabou o meu tempo. Restar-me-ia submeter-me ao Juizo Final. Que a generosidade divina perdoasse os meus pecados e superdimensionasse eventuais virtudes com que ela própria me tivesse contemplado.

     

    Doia-me, na verdade, muito mais, a dor dos meus. Mas, logo entendi, mesmo que não fosse passageira, que essa era uma dor da qual não poderíamos fugir.

     

    Vi-me, aos 10 anos de idade, chorando convulsivamente a perda da minha mãe e imaginando, sempre aos prantos que, sem ela, acabara todo o sentido da minha vida. Foi sem dúvida, o dia de maior sofrimento, de maior dor de toda minha vida.

     

    O tempo, porém, me ensinou a conviver com essa perda e a encontrar, na sua falta, um novo sentido na ação de viver.

     

    Muito mais tarde, já adulto, a vez de perder meu pai. Outro marcante momento de dor e de perda e que, hoje, aliado ao primeiro, pela graça de Deus, me impele pra frente com coragem, determinação e fé. Será assim também com os meus – posso imaginar.

     

    Até que chegou o dia da confirmação. Ainda bem que, além de mim, a ouviram, da voz do médico, a minha mulher e uma das minhas irmãs – Ana Maria.

     

    Assim, sem precisar que eu próprio tivesse que informar a cada um, todos os meus familiares mais íntimos reuniram-se em torno de mim, transmitindo-me força e esperança, com esse gesto de amor e de solidariedade. Por isso, encontrei forças para procurar tranqüilizá-los:

     

    - Podem ficar certos. Encaro este momento com todo realismo. Da morte, é tolice querer fugir. Mas, pra mim, doença não mata ninguém. Idade não mata ninguém. O que mata a gente é a chegada do dia marcado para a nossa morte.

     

    E continuei: “Não sei se o meu dia chegou ou se está pra chegar. Se for assim, só peço a Deus que não me deixe abater: quero trabalhar e viver, ficar de pé, até o último instante. Mas, anima-me muito mais, a esperança de que a hora da despedida ainda não é esta. Com a bênção de Deus, que me assegura a ajuda de vocês e a de tantos amigos, vou me tratar e me recuperar”.

     

    E isso, graças a Deus, é o que está acontecendo.

     

    Final do Capítulo 1



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 18h17
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    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    CAPÍTULO 2

     

    Dor e conforto

     

    Os dias que se seguiram à confirmação de que eu estava com câncer foram, ao mesmo tempo, dolorosos e reconfortantes.

     

    Dolorosos, pelo que eu via e sentia no semblante das pessoas mais queridas. Todas refletiam o temor de que, apesar do esforço que eu fazia para ser forte, câncer é câncer e dele ninguém escapa. Pelo menos, este é o pensamento geral.

     

    Na realidade, essa sensação – de que o câncer é fatal – produz um sofrimento indescritível e que eu procurava superar com a leitura de textos bíblicos.

     

    A fim de não chamar a atenção, procurava ser o mais discreto possível.

    Embora o fato de ser visto lendo a Bíblia não constituisse nenhuma novidade, compreendi que, naquelas circunstâncias, fazia alguma diferença.

     

    Não sei se consegui. Mas, era grande o meu esforço para esconder o sofrimento e para externar firme confiança numa completa recuperação.

     

    Acredito que esse esforço foi fundamental para que, no meio da dor, eu também pudesse encontrar reconforto na solidariedade permanente, não apenas da família, mas, também, dos amigos, alguns, sequer, eu podia dizer que conhecia.

     

    Continua no tópico abaixo



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 18h15
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    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    Continuação do tópico anterior

     

    Pois é: foi aí que eu descobri que, além dos amigos com quem a gente convive, há, também, aqueles que a gente nem desconfia que possam existir.

     

    Essa constatação teve, para mim, um grande efeito “analgésico” e me fez encarar a doença como uma oportunidade que Deus estava me dando para ter uma visão mais ampla do mundo e da humanidade: existe solidariedade, sim; nem tudo é egoismo.

     

    Na realidade, eu me surpreendi e me emocionei com tantas e repetidas manifestações de generosidade. Pessoas que eu nem imaginava que me conheciam, me traziam ou mandavam por terceiros, contribuições financeiras para ajudar nas despesas de tratamento que estavam para vir.

     

    - Será que eu mereço tudo isso? – questionei-me em repetidas ocasiões.

     

    Pois bem: O cuidado e o zelo da família e dos amigos me puseram em contacto com a “babosa”.

     

    Em casa mesmo, recebi alguns vidros do “medicamento” caseiro, difundido pelo Frei Romano Zago, ofm, em seu livro “O Câncer tem cura” e, na véspera de viajar para os Estados Unidos, no dia 14 de maio de 1998, fui buscar mais um, na casa do Monsenhor Expedito Medeiros, em São Paulo do Potengi.

     

    Eu havia começado a tomar a “babosa” uns três ou quatro dias antes de embarcar.

     

    A minha convicção foi de que o efeito do “remédio” tinha sido imediato – a “babosa” e “outro remédio”, inventado por mim mesmo, à base de dente de alho cortadinho, misturado com mel de abelha e suco de limão. No meu entendimento, as dores haviam diminuído, como também o incômodo na hora da alimentação, pois o tumor era no palato – o céu da boca.

     

    Cheguei, mesmo, a pensar que o tumor estava diminuindo. Aliás, essa impressão deve ter constituído, sem dúvida, outro fator para reforçar a minha esperança de plena recuperação e que eu procurava repassar a todos os meus:

     

    Continua no tópico abaixo



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 18h14
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    CÂNCER - REFLEXÕES DE UM SOBREVIVENTE

    Continuação do tópico anterior

     

    - Estou me sentido tão melhor – dizia; acho até que o tumor está regredindo. Estou com a esperança de que, chegando nos Estados Unidos, não vai ser nem preciso operar.

     

    - Por que Estados Unidos?

     

    Ao me apresentar o resultado da biópsia, o meu médico – dr. Ricardo Curioso, renomado oncologista, fui muito claro: “Eu mesmo posso lhe operar. Mas, se eu fosse você e tivesse condições, iria para um centro mais avançado”.

     

    - Pra onde – perguntei?-

     

    - No mínimo, São Paulo. Mas, o ideal seria os Estados Unidos.

     

    E foi enfático: “Quem se depara com este momento que você está vivendo não tem muitas alternativas não. Vale até, se tiver alguma coisa, vender – se for preciso - tudo o que tem pra enfrentar o tratamento. Porque, se não adiantar, o destino dele é a morte e, morrendo, não adianta nada dispor de bens materiais, pois daqui nada se leva; por outro lado, dando tudo certo, sempre haverá a esperança de poder recuperar tudo o que gastou”.

     

    Essa sinceridade do dr. Ricardo, assim, de chofre, muito dolorosa, foi fundamental pra decisão que, tomei na hora: “Vou fazer tudo pra ir pros Estados Unidos”.

     

    Pela estimativa de custo que me deu o dr. Ricardo, a disposição da família e a ajuda de amigos que já começava a chegar – ainda hoje só posso interpretar essa generosidade espontânea como resultante de algo sobrenatural – vi que poderia abraçar a segunda das alternativas que o médico amigo me indicara.

     

    Eu imaginava que, efetivamente, num centro mais adiantado, até mesmo pela prática – tendo em vista o maior número de pessoas necessitando de idêntico tratamento – minhas chances de escapar, com a graça de Deus, seriam aumentadas.

     

    Conclusão do Capítulo 2



    Escrito por paulotarcisiocavalcanti às 18h13
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