POIS É
A saúde continua na UTI
Que agonia infindável essa da saúde pública no Brasil e no nosso Rio Grande do Norte. Entra governo e sai governo e nada. Tudo continua como dantes. Muita gente morrendo na fila à espera de atendimento. Muita gente morrendo sem tempo, sequer, de entrar na fila. Entrar na fila pra que?
Ainda esta semana, li nos jornais a situação de uma pessoa que aguardava a chance de fazer uma tomografia computadorizada. Até quando isso vai continuar acontecendo. Todos sabemos que o caso dessa pessoa não se trata de um fato isolado. É um entre milhares.
Ainda recentemente, ouvi o deputado Getúlio Rego afirmar que milhares de homens precisando de cirurgia de próstata eram obrigados a esperar na fila. Vejam bem: Não é uma fila de 10, 20, 30 pessoas, não. Estou falando de uma fila de milhares de pessoas com problemas na próstata, ou seja, com câncer de próstata, precisando fazer uma cirurgia, sem poder.
Agora mesmo, estão aí, mais uma vez, os anestesiologistas reclamando a falta de pagamento dos seus salários através da cooperativa que os representa. Uma dívida que passa de 1 milhão de reais, não incluído na conta o valor referente ao mês de junho que está terminando.
Quer dizer: as coisas não acontecem; as filas vão aumentando, as pessoas continuam a morrer sem atendimento e o pior: a conta só faz aumentar. Por que? Por que? Por que?
Se a conta continuasse a aumentar indefinidamente mas a população estivesse sendo atendida com decência e com dignidade, tudo bem.
O problema é sério. Sérissimo. Considero um herói quem aceita a responsabilidade de ocupar uma Secretaria de Saúde seja no Estado, seja em um município. Além de tudo, porque corre o risco de ver jogado, exclusivamente, sobre os seus ombros, a responsabilidade por esse caos. E todos, de bom senso, sabemos, que o problema não é por aí. É muito fácil e cômodo jogar as responsabilidades sobre as costas dos outros. Mas, por onde é?
Imagino, com toda sinceridade, que o desafio, agora, não é buscar culpados. Tem tempo pra tudo. A hora é de buscar solução. Esta é que deve ser a prioridade do momento: tentar evitar que pessoas continuem morrendo por falta de atendimento. E, nessa busca, imagino, a primeira palavra deve ser dos Conselhos Estadual e municipais de Saúde.
Escrito por Paulo Tarcísio Cavalcanti às 09h08
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